TARA é um robô pintor. Mas não daqueles que se usam na indústria, como os que pintam automóveis. Os robôs usados na indústria são concebidos para fazer operações muito controladas e repetitivas. TARA pelo contrário faz muitas vezes o que lhe apetece e nunca repete a mesma pintura.

TARA é um robô autónomo. Anda pelos próprios meios, reconhece o ambiente onde se encontra e age em função dos estímulos que recebe do exterior. Tem um programa base instalado no seu pequeno cérebro, um algoritmo, que o ajuda a decidir a cada momento o que fazer. É uma combinação deste algoritmo, ou seja desta inteligência artificial, com a informação que recolhe do mundo real que lhe permite gerar pinturas originais e sempre diferentes

O TARA é interactivo, tem a particularidade de poder ser programado em algumas das suas componentes. Ser mais ou menos sensível à cor, fazer um traço maior ou menor, virar para um determinado lado e também decidir acabar mais depressa.

TARA é um robô pintor e por isso a coisa mais importante para ele são os olhos, situados na parte inferior por baixo da cabeça. Tem 9 olhos dispostos numa grelha de 3 x 3 com os quais analisa constantemente o papel onde pinta. Em função do que vê decide o que fazer. TARA tem também outros sensores colocados à sua volta. Servem para medir a que distância se encontra da parede para se afastar dela.

O processo de pintura é aparentemente simples mas produz resultados surpreendentes. No início, como o papel está em branco, TARA vai fazendo uns traços ao acaso. Nesta fase não toma decisões. Simplesmente joga uma roleta digital e em função do número que sai faz mais um traço ou segue adiante. A esta fase chamamos Modo Aleatório. Passado um bocado, dependente da sua sensibilidade, TARA começa a reconhecer os traços de cor que desenhou. Então deixa de fazer mais traços ao acaso e concentra-se nas zonas onde já existe alguma cor reforçando-a. Entra portanto uma nova fase, em que o acaso já não conta, a que chamamos Modo Reactivo. Ou seja, reage à cor. Isto faz com que a partir deste momento se alarguem as manchas de cor nalgumas zonas da pintura e fique praticamente em branco o restante espaço. Finalmente quando o TARA vê uma grande concentração da mesma cor considera que a pintura já está bonita. Pára de pintar e assina o seu nome. A obra está pronta.
 
Na base da ideia dos robôs pintores de Leonel Moura está a vontade de criar máquinas capazes de produzir a própria expressão artística, independentemente do gosto ou da estética do seu autor humano. Uma verdadeira arte das máquinas inteligentes.

É Arte? É Ciência?

TARA é uma máquina. E, em princípio, uma máquina não faz arte por si própria. Por isso se pode dizer que a única arte que ainda existe é a que deriva da imaginação do artista humano que a inventou. Mas, por outro lado, não é menos verdade que TARA faz coisas que não são nem podem ser programadas pois dependem da informação que o robô recebe directamente do ambiente. Nesse sentido estamos perante uma forma de expressão própria, uma espécie de arte das máquinas, que pode ser tão considerada como a arte humana. Afinal estas pinturas são bonitas e estimulam a nossa inteligência, duas características que normalmente reconhecemos na arte que vemos nos Museus.

Por outro lado o processo de criação de uma destas pinturas não é muito diferente daquele que anima muitos pintores humanos. TARA começa por fazer um esboço e depois constrói uma composição a partir dele. O resultado é sempre original e no seu conjunto até configura um estilo singular.

Mas é Ciência? No fundo este robô parece um brinquedo. Ora aí as certezas são maiores. Tara representa um particular tipo de robótica, a autónoma, onde se pretende dar ao robô a maior independência e capacidade de decisão próprias. Ao invés de dos robôs industriais, onde o controlo é determinante, neste tipo de robótica a perda de controlo pelo humano, ou seja, a maior autonomia do robô é fundamental. Trata-se de conceber máquinas inteligentes capazes, por exemplo, de explorar ambientes, recolher informação e executar tarefas autonomamente e sem, precisarem de constante assistência. TARA na maneira como foi concebido, o seu corpo, a forma, como se desloca, os sensores que tem, garante já uma enorme autonomia.

Mas é sobretudo no conceito que está por detrás do seu algoritmo, isto é, na sua particular inteligência artificial, que se dá um significativo contributo para o desenvolvimento desta tão importante e inovadora tendência que é a robótica autónoma.

Texto extraído do site do (Pavilhão do Conhecimento).


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